Mão na roda pé na estrada
   Didjeridoos eletronicos

Na Austrália, os negros não são negros. São aborígenes. Indios. Os antigos donos da casa que, como em toda parte, foram exterminados ou expulsos para o curral. Há poucos negros nas ruas da endinheirada Sydney. Quase não os vi por ali.

E a dupla que vi, em Circular Quay, a estação do ferry-boat no porto da cidade, eram duas figuras cinematográficas. Seminus, ganham a vida como artistas de rua, com uma música eletrônica contagiante. Sons que misturam tradição e modernidade, pulsantes beats eletrônicos com os rudimentares mas contagiantes rugidos dos didjeridoos.

Compartilho com vocês as imagens que registrei dessa dupla:

http://www.youtube.com/watch?v=j54rDqEYYmw

Não resisti e comprei o CD deles - chamado Spirit of the Land. Nos links abaixo você pode baixar, de tira-gosto, algumas faixas do CD.

 1 - Electro Gecko http://rapidshare.com/files/5080670/02_Electro_Gecko.mp3

2 - Shadows http://rapidshare.com/files/5081354/05_Shadows.mp3

3 - Kookin Up a Storm http://rapidshare.com/files/5081862/07_Kookin_Up_A_Storm.mp3

4 - Raven http://rapidshare.com/files/5082955/08_Raven.mp3

PS - Desculpe a demora em voltar a postar, voltei a London e passei um tempo me readaptando à vidinha por aqui. O blog continua positivo-operante, continue a visitá-lo!

 

 



Escrito por Staroba às 18h33
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   Salsichas saltitantes

Após quase 3 semanas na Austrália, finalmente vi pela primeira vez um canguru na minha frente ontem, aqui em Port Douglas. Ou pelo menos o que restou dele...

 

Dizem que a carne é bem magra, com pouca gordura e bastante saborosa. Selvagem esse povo daqui: não bastasse atropelarem às pencas os cangurus - que ficam estirados mortos como cães vira-latas na beira das estradas - metem bala em milhares de outros...

"Hey, I ate old skippie", brincou outro dia o dono da minha pousada, ironizando a nova onda da gastronomia local. Outro australiano que conheci, um almofadinha simpático que vive com a mulher grávida num bairro nobre de Sydney e veio de férias a Port Douglas, disse-me na maior naturalidade: "Nunca provei. Mas acho bom que estejam comendo os cangurus. Tem canguru demais por aí, eles são uma praga."

Canguru aqui, virou até salsicha. Um alerta: cuidado com hot dogs d barraquinha de rua na Austrália, dizem que a salsicha sai pulando após a primeira mordida.



Escrito por Staroba às 08h38
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   Cara a cara com Napoleão Bonaparte

Ontem eu vi Napoleão Bonaparte. Ele é mulato, quase negro. Um beiço gigante, olhar gelado e calmo. Flutuava tranquilo em sua nova encarnação: peixe-napoleão! Ousei tocar ostras que escancaram a boca, exibindo gargantas de tentáculos roxos e bolinhas amarelas. Segurei um monstro pré-histórico, de pele escorregosa de espinhos. Ao lado, uma escrota criatura cuspia viscosidades em forma de spaghetti.

Estou na Austrália e, juro a você, recusei convites de fumar opiácios nas montanhas com os aborígenes. Passei longe dos cogumelos selvagens do Outback. A droga mais pesada que consumi foi uma cerveja da Tasmânia – cujo slogan poderia ser "Tasmanian beer, brings out the Tasmanian Devil inside of you".

A viagem psicodélica foi a 20 metros de profundidade, 1h30 de barco da costa de Port Douglas, numa região da Grande Barreira de Corais chamada Opal Reef. Foram 3 mergulhos e umas 2 horas de scuba diving que me transportaram a outra dimensão. Um mundo subaquático em que, como meu novo amigo Napoleão, posso flutuar e nadar e mandar pro espaço os perrengues da paraplegia.

Encontrei Napoleão no final do último mergulho, quando já subíamos segurando na corda de volta ao barco. Ele nadava em círculos, chegando bem pertinho. Veio acompanhado do fiel escudeiro, um pequeno e preguiçoso peixinho-parasita, agarrado em suas barbatanas, à espreita para abocanhar migalhas remanescentes das presas de Napoleão.

Bati continência, despedindo-me do general em extinção das águas claras do Pacífico. Subi ao barco, tirei o wetsuit, voltei à minha cadeira cativa – como sempre, ajudado pelos outros mergulhadores. Segurei firme pra não capotar com o chacoalhar das ondas. Sequei-me no sol. Voltei a terra firme, sonhando virar Napoleão e viver pra sempre sob as águas.



Escrito por Staroba às 04h22
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   Uma arvore em Cairns

Uma árvore enorne. Cheia de troncos e galhos e raízes. Irresistível a tentação de se infiltrar, macaquear rumo ao topo e, de lá, observar o mar azul do nordeste australiano, a gigantesca casa da Grande Barreira de Corais.


Talvez eu nem a tivesse visto, no calçadão da praia de Cairns. Olhei-a papagaiando a multidão mezzo-japonesa-mezzo-red-necks. Uma roda de curiosos, com câmeras e lentes telescópicas, mirando o topo da árvore e cochichando num zumzumzum. Aproveitei o raro momento de aglomeração para puxar papo com os desconhecidos mais estranhos da roda, cinco adolescentes de traços índigenas. Morria de curiosadade de finalmente ouvir em algum canto o sotaque do inglês aborígene.


--"There´s a little girl up there on the tree', balbuciou.


Esfreguei os olhos e foquei no meio da folhagem e lá estava, pezinhos descalços, uma perninha gorducha pra cada lado de um galho. Ela não resistira a tamanha tentação. Subiu, leve e rápida, ao topo do grandioso jacarandá australiano. E lá ficou. Era uma daquelas árvores de uma mão só: uma pista expressa pra subir, mas sem caminho de volta rumo ao chão. Ou ficava ali para sempre fotossintetizando, ou desabava em queda livre.


Desesperado, o pai conversava com ela. Tentava acalmá-la enquanto os bombeiros não vinham. A multidão crescia: umas 100 pessoas segundo a polícia local, pelo menos 500 observadores de acordo com os organizadores. O zumzum se avolumou em hummsss e oooooohhhhs e mais um par de interjeiïções de perplexidade que só os japoneses conseguem pronunciar.


Uns quatro ou cinco oh my gods depois, chegaram os heróis. O bombeiro levou uns 5 minutos para trepar até onde ela estava. Difícil imaginar como ela havia chegado até ali. Amarrou-a em seu corpo e desceram, fazendo rappel numa corda, como nos filmes da SWAT. Aplausos. Um abraço aliviado do pai. Uma multidão se desfaz. Tudo volta à sua tediosa normalidade.





Escrito por Staroba às 07h25
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   Os motoqueiros mirins de Hanoi

Familias inteiras se empilham nas motos na bagunca da capital do Vietnam. Alguns levam os bebes na frente da motoca, que segura suas maos no guidao. Outros acham jeito de leva-los pendurados nas costas, como este pai que vimos comprando um reco-reco para o filho no mercado de brinquedos numa rua do bairro antigo: http://www.youtube.com/watch?v=UbQB__G9IVw (imagens exclusivas da cinegrafista amadora Duda Andrade, MA in Screen Documentary at Goldsmiths College). Diz a lenda que os bebes de Hanoi, ao nascer, voltam de moto da maternidade pra casa.

Caminhando no bairro velho de Hanoi, demos de cara com uma escola maternal, na hora do final das aulas. Todos os pais buscavam suas criancas de moto - como sempre, sem capacete, para eles ja aprenderem direitinho desde pequenininhos!!

 

Escrevo agora do aeroporto de Cingapura, um dos mais incriveis do mundo, super moderno e chicoso como tudo por aqui...amanha desembarco na Australia!

 

 



Escrito por Staroba às 09h08
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   Hanói Hanói

 

 

Zzzzuuuuuummm…..o vento da motoca 50cc arrepia os pelos do braço, o barulho quase ensurdece...Beeeeeee, um ônibus esmaga a multidão pro canto da rua. É preciso caminhar com os cotovelos abertos, angulados, para propulsionar meu superveículo. E em Hanói fazer isso é arriscar ver meus preciosíssimos bracinhos decepados.

Passam por segundo 20 mil motos, vespas, mobiletes, rickshaws na rua do hotel Hanoi Star, uma biboca pulguenta, empresa familiar típica do local, de staff simpático mas não exatamente veloz de raciocínio. O buzinaco é non-stop, a fumaça tem cheiro de moto, homens, mulheres e bebês, ninjas vietcongues de rostos cobertos por lenços multicoloridos e oculos escuros, se equilibram sobre elas, o pulso direito do acelerador retorcido, a todo gás. O pedestre é um alvo e a faixa de pedestres é piada. Capacete não há – diz a lenda que quem usar capacete na maluca capital vietnamita é multado. Hanói tem pressa e vive sobre rodas. Meu par de rodas é só mais um na multidão de lata.

 

Os que caminham sobre sandálias suadas neste calor úmido de 35 graus destoam, mas quem, como eu, desliza sobre rodas avança a passos largos, parte integrante desse manicômio, uma só nação todos um só coração.

A cada manhã, respiro fundo, e me jogo nas ruas lotadas. Estranho conforto e perigo constante, adrenalina bombando na jugular. Atravessar a rua para comprar agua ou parar pra tirar uma foto de velhinhas equilibrando frutas pode ser uma decisão fatal, um último desejo antes do derradeiro beijo no asfalto.

Balela minha! Mentiroso pacas que sou, nem aqui me misturo na multidão. Todos me olham, acompanham o meu rodar, homens e mulheres, criancinhas e cães, quem diabos será este OVNI rolante ocidental?

Em toda parte, fotos e cartazes do herói Ho Chi Minh, que chutou os americanos pra felicidade geral da nação. Mas a Guerra do Vietnã acabou, faz tempo, e os vietnamitas são simpáticos, sorridentes, solícitos em me ajudar nas infinitas guias das calçadas e escadinhas. Recebem a todos com simplicidade única, mesmo os turistas americanos, que aqui se envergonham do passado e presente belicista da terra da “democracia e liberdade”.

Estranho só é perceber que, num país em que centenas de milhares ficaram incapacitados pela guerra, não se vê uma única alma cadeirante nas ruas. Sinto-me um ET, a mesma sensação que tive na Bósnia no ano passado, outro país de estropiados, onde o acesso nas ruas é ainda pior. Onde se escondem os feridos de guerra? Têm vergonha ou são superprotegidos dentro de casa por familiares bem intencionados? Serão já velhos demais para uma vida ativa, 30 anos após o fim da guerra? Por quê não se misturam às motos, bikes e buzinas, delirante multidão de cadeirantes desmembrados, desdentados, feios mas cheios de energia, apressados para chegar ao seu destino, atropelando os transeuntes?

É uma loucura estranhamente organizada isso aqui. Não vi ninguém se espatifando ao chocar a moto contra um poste, nem passando por cima das pessoas. Pra quem anda, um passeio a pé é uma deliciosa insanidade. Prum cadeirante, é uma batalha, a minha própria Guerra do Vietnã. E, preciso dizer, adrenalina estranha essa de guerrear nas vielas de Hanói Hanói.

Veja video em http://www.youtube.com/watch?v=Jd3B0cxCWM8

 

 

 

 

  

 

 



Escrito por Staroba às 08h09
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   As crianças aqui são fofinhas pra caramba!

Como ficou provado por A + B na nota anterior do blogovsky, há mais tailandeses bacaninhas que seres hediondos espancadores de elefantes.

Se a história de Tu, a cangueira de Koh Tao, não te convenceu - afinal, você poderia contra-argumentar: Tu é uma rata de praia, sorri calculadamente para abrir a carteira de otários, vender cangas pelo dobro do preço de mercado, etc e tal. Confesso que eu talvez ficaria desarmado com tal argumentação....afinal a Duda achou numa lojinha a mesmíssima canga que compramos dela a 200 baht por módicos 100 baht (uns 6 real).

Mas como estou agora completamente imbuído da tarefa de defender a genuina pureza da bondade dos tailandeses, apelo para imagens degeladoras até mesmo dos mais brutos corações.

 

 



Escrito por Staroba às 09h31
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   Tailândia, mostra sua cara!

Macaco-velho que sou na arte de ser vaselina, enfio a mão cheia num pote de Vasenol e esparramo seu conteúdo oleoso sobre a tela do micro que estás lendo.

Antes que a embaixada da Tailândia em Brasília peça direito de resposta, acusando-me de injúria e difamação por proclamar que os elefantes não são exatamente tratados a pão de ló por aqui. Antes que a liga profissional de boxe tailandês decrete uma fatwa contra mim, trago a você, fiel leitor, o tão necessário, tão fundamental e imprescindível, pilar único, robusto e genial do jornalismo vaselina interplanetário. Com vocês, o OUTRO LADO!

Justiça seja feita: a grande maioria dos tailandeses nunca bateu num elefante. Muitos são incapazes de matar um pernilongo. São de simpatia ímpar, têm um sorriso permanente no rosto. Alguns chegam a emocionar pela doçura e simplicidade. A comunicação com os thais nem sempre é simples, já que o inglês da maioria é bastante limitado. O que resta, porém, é um divertido diálogo não-verbal, com muitos gestos e interjeições. Mas chega de embaço e vamos aos exemplos.

Tu, a cangueira de Koh Tao

Descalça, Tu, a vendedora de cangas, caminhava no escalda-pés que é o mar de 40 graus da praia de Saree, na ilha de Koh Tao (de onde presentemente cascateio). Ganhou-nos com o sorriso mais cheio de dentes que já se viu do lado de cá do muro de Berlim. Entre gestos e monossílabos e gargalhadas, "contou-nos" que mudou-se do norte tailandês para esta ilha há sete anos, grávida. O autor da proeza estava ali do lado, trabalhando como motorista de taxi-boat. Meio a contragosto, ele topou pagar o mico e posar pruma fotinho ao lado dela. Olha que casal simpático...

 

 

 A conversa seguiu os padrões tradicionais do encontro turista ocidental-negociante asiático.

- Quanto é? 250 baht. Nãaaaaaaaaaaao, tá caro! I do special price for you. Bem que tão bonitas essas cangas, né? Hihihi, yes, yes, very good, very very good. E se eu levar duas, quanto fica????

E então, o grande momento, o toque magnífico e genial de toda boa vendedora tailandesa. Equilibrando o chapéu sobre a cabeça tala-curta (existe diminutivo de tala larga?), risadinhas contagiantes non-stop, Tu abre a mochila. Saca do coldre seu instrumento essencial de comunicação, para determinar o preço certo, exato, exatíssimo:

 

 Sacou sua amiga inseparável, a calculadora. Compramos uma canga, claro. Tu segurou as duas notas de cem, e num surto supersticioso, bateu com elas umas três vezes sobre o saco de mercadorias. Era para dar boa sorte, explicou ela. Éramos os primeiros clientes do dia. Desejamos a ela sorte na vida, ela nos rogou bons alentos de felicidade eterna, final feliz na praia de Koh Tao.



Escrito por Staroba às 07h59
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   O genocida de paquidermes

Vingaaaaaaaaaaaaaança! O mínimo que podia fazer era mostrar ao mundo o retrato do crápula, do malvado, do horrendo malfeitor, do inomivável espancador de elefantes, o nosso "piloto" tailandês. Sim, ele, ei-lo, DU IN

Na imagem acima, Du In dá uma risadinha asquerosa. Voce não está vendo - e nem eu pretendo mostrar, pois seria violência e crueldade demais para este espaço, mas enquanto ri assim gostoso, as esporas de seus pés estão fincadas no dorso do pobre elefantinho, que uiva (sim, sim, não sabia que elefante uivava, descobertas da Ásia...)


Telefonei ontem para Du In, notificando-o de que seu rosto circularia o mundo inteiro, e que seria bom ele se preparar para enfrentar o Greenpeace, o WWF, a Liga dos Defensores dos Animais. O inominável respondeu-me com um email, enviando a foto abaixo, para deixar claras as rugas de preocupação em sua testa.

(Atenção para o detalhe, na parte de baixo, da ponta da lança que ele costuma enfiar na cabeça dos elefantes)

 

 

 



Escrito por Staroba às 07h43
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   Incomodada ficava a sua avó....

Atendendo a pedidos, mais fotos do tour de elefante em Chiang Mai. Escrevo agora cinco horas após a publicação do texto anterior - e a uns 60 km de distância. Deixei Bangkok, subi num avião que me trouxe a Ko Samui, de onde escrevo de um restaurante-hotel a beira da praia. Agradeço os comentarios e confesso meu total espanto com o estouro de page views no reloginho do blog...foram quase 5 mil visitas em cinco horas...

Detalhe: crédito da foto a seguir, sobre o elefante - Du In, nosso intrépido e sórdido e sadista piloto de elefante tailandes...

E uma imagem do visual dos campos de arroz do norte tailandês, tirada durante o rolê paquidérmico...

 



Escrito por Staroba às 00h11
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   Muita gente incomoda um elefante...

(segue da nota anterior...)

 

Com os brios mexidos pelos comentários em thai sobre minha barriga de estimação, resolvi surpreendê-los. Com agilidade de um golfinho, pulei de minha cadeira para o assento do elefante – cadeira pequena mas confortável, pelo preço que pagamos, não esperávamos mais do que a classe economica.

 

Fui lépido, intrépido, sagaz. No melhor estilo asiático, fiz-me um astro de Crouching Tiger Hidden Dragon. Voei de minha cadeira pras costas do paquiderme. Reconheço, porém, que devo a coordenação escultural de tal ao nosso bravo piloto – Du In – que com o brilhantismo de um Schumacher tailandês fez com o elefante a balisa mais perfeita que já vi.

 

Tailandês de ombros largos, face angulada, sorriso maroto, Du In (I wonder why this name…) tinha uma certa sordidez no comando do elefante. Suas ordens eram obedecidas a xibatadas na cabeça e pescoço com uma lança pontiaguda. Sim, selvagem, muito cruel o lance por aqui. A Duda quase chorava a cada espetada, e fantasiou espetar a lança na cabeça do piloto no breve momento em que nos emprestou a arma para poder nos fotografar.

Andar de elefante lembra passeios de camêlo, com um balanço incessante. Pra lá e pra cá. Pra lá e pra cá. Foi uma hora de sessão de musculação, segurando firme nas barras e na Duda pra não voar elefante abaixo. Minhas pernas voavam prum lado e para o outro. Sem comando delas, restou-me entrelaçá-las entre a nuca do elefante e a bunda de Du In – e eis que com meus pés enterrados, firmes e pontiagudos em seu rabo, fez-se a vinganca pelos maus tratos ao pobre animalzinho.

 

Passeamos por campos de arroz, a vista das montanhas era impressionante, vilarejos com galinhas e crianças descalças. A cada 500 metros, tiazinhas vendiam bananas a preço de banana para que os passageiros alimentassem seus elefantes. O nosso, faminto como bom gordinho, nem esperou que comprassemos. Quando nos aproximamos da banquinha, se aproveitou da distração da vendedora e abocanhou meio cacho com a tromba…

 

Voltamos a Chiang Mai e agora escrevo de Bangkok, madrugada em Kao San Road, a rua dos mochileiros, enquanto aguardo a hora de voar cedinho pra Koh Samui, de onde sigo de barco para a ilha de Koh Tao – o meu próximo destino, onde espero blogar novamente….

 

Comentem que prometo responder e alimentar este blog com suas idéias….Ko-pun-kap!



Escrito por Staroba às 17h07
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   Um elefante incomoda muita gente...

Povo simpático e prestativo esse da Tailândia. Olhares puxadinhos acompanhavam cada movimento meu desde que cheguei ao acampamento de elefantes, espécie de disneylandia onde a turistada é recebida por elefantes-acrobatas. Tem o elefante-Ronaldinho, que marca gol de voleio e chuta de trivela com as quatro patas. Seu primo Dumbo, mestre da pintura renascentista, desenha quadros segurando o pincel com a tromba, obras-primas negociadas na lojinha por 1000 bahts (umas 30 doletas).

 

Tornei-me definitivamente o centro das atenções quando nossa guia Molly anunciou que era hora do embarque. Baixinha, cabelo no rabo de cavalo, risonha, Molly fala inglês com um delicioso canto tailandes, ao melhor estilo de pronunciar "solly" ao se desculpar por algo pelo qual não precisava pedir perdão.

 

O terminal 3 do elefanteporto de Chiang Mai é uma plataforma de madeira de uns 5 metros de altura, construído para que os passageiros tenham acesso direto aos seus assentos sobre os bichos – igualzinho aos "fingers" dos aeroportos.

 

A um estalar de dedos, 23 tailandeses entre surpresos e divertidos com a minha presença se agruparam ao meu redor. Como sempre, a vontade de carregar a cadeira de rodas, de ajudar-me a superar os obstáculos era tão, mas tão grande, que o movimento inicial foi atabalhoado.

 

Aos gritos, tomei conta da situação. "You, here…You, hold here at the handles on my back. Now, turn me around and go up slooooooooooowlyyyyy…" E começamos a subir a rampa…(um parêntese: por que raios falamos em inglês – e não em português ou iidische – quando nos comunicamos com seres que não falam uma palavra em inglês??)

 

Não entendia nada do que eles falavam enquanto me içavam ladeira acima…mas os "hummmmmmmm" e "ahhhhhhhhhhs" e risos e suspiros de quem se esforçava já davam o recado – blasfemavam divertidos pelo tamanho da minha pança, e trocavam comentários do gênero "será que esta baleia sobre rodas vai em cima do elefante ou o elefante em cima da baleia rolante?"

 



Escrito por Staroba às 17h35
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Tres e vinte e um da matina, 32 graus, internet cafe de Chiang Mai, Tailandia. Antes tarde do que nunca. Declaro inaugurado este blogovsky.



Escrito por Staroba às 16h59
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