Mão na roda pé na estrada
   Incomodada ficava a sua avó....

Atendendo a pedidos, mais fotos do tour de elefante em Chiang Mai. Escrevo agora cinco horas após a publicação do texto anterior - e a uns 60 km de distância. Deixei Bangkok, subi num avião que me trouxe a Ko Samui, de onde escrevo de um restaurante-hotel a beira da praia. Agradeço os comentarios e confesso meu total espanto com o estouro de page views no reloginho do blog...foram quase 5 mil visitas em cinco horas...

Detalhe: crédito da foto a seguir, sobre o elefante - Du In, nosso intrépido e sórdido e sadista piloto de elefante tailandes...

E uma imagem do visual dos campos de arroz do norte tailandês, tirada durante o rolê paquidérmico...

 



Escrito por Staroba às 00h11
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   Muita gente incomoda um elefante...

(segue da nota anterior...)

 

Com os brios mexidos pelos comentários em thai sobre minha barriga de estimação, resolvi surpreendê-los. Com agilidade de um golfinho, pulei de minha cadeira para o assento do elefante – cadeira pequena mas confortável, pelo preço que pagamos, não esperávamos mais do que a classe economica.

 

Fui lépido, intrépido, sagaz. No melhor estilo asiático, fiz-me um astro de Crouching Tiger Hidden Dragon. Voei de minha cadeira pras costas do paquiderme. Reconheço, porém, que devo a coordenação escultural de tal ao nosso bravo piloto – Du In – que com o brilhantismo de um Schumacher tailandês fez com o elefante a balisa mais perfeita que já vi.

 

Tailandês de ombros largos, face angulada, sorriso maroto, Du In (I wonder why this name…) tinha uma certa sordidez no comando do elefante. Suas ordens eram obedecidas a xibatadas na cabeça e pescoço com uma lança pontiaguda. Sim, selvagem, muito cruel o lance por aqui. A Duda quase chorava a cada espetada, e fantasiou espetar a lança na cabeça do piloto no breve momento em que nos emprestou a arma para poder nos fotografar.

Andar de elefante lembra passeios de camêlo, com um balanço incessante. Pra lá e pra cá. Pra lá e pra cá. Foi uma hora de sessão de musculação, segurando firme nas barras e na Duda pra não voar elefante abaixo. Minhas pernas voavam prum lado e para o outro. Sem comando delas, restou-me entrelaçá-las entre a nuca do elefante e a bunda de Du In – e eis que com meus pés enterrados, firmes e pontiagudos em seu rabo, fez-se a vinganca pelos maus tratos ao pobre animalzinho.

 

Passeamos por campos de arroz, a vista das montanhas era impressionante, vilarejos com galinhas e crianças descalças. A cada 500 metros, tiazinhas vendiam bananas a preço de banana para que os passageiros alimentassem seus elefantes. O nosso, faminto como bom gordinho, nem esperou que comprassemos. Quando nos aproximamos da banquinha, se aproveitou da distração da vendedora e abocanhou meio cacho com a tromba…

 

Voltamos a Chiang Mai e agora escrevo de Bangkok, madrugada em Kao San Road, a rua dos mochileiros, enquanto aguardo a hora de voar cedinho pra Koh Samui, de onde sigo de barco para a ilha de Koh Tao – o meu próximo destino, onde espero blogar novamente….

 

Comentem que prometo responder e alimentar este blog com suas idéias….Ko-pun-kap!



Escrito por Staroba às 17h07
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   Um elefante incomoda muita gente...

Povo simpático e prestativo esse da Tailândia. Olhares puxadinhos acompanhavam cada movimento meu desde que cheguei ao acampamento de elefantes, espécie de disneylandia onde a turistada é recebida por elefantes-acrobatas. Tem o elefante-Ronaldinho, que marca gol de voleio e chuta de trivela com as quatro patas. Seu primo Dumbo, mestre da pintura renascentista, desenha quadros segurando o pincel com a tromba, obras-primas negociadas na lojinha por 1000 bahts (umas 30 doletas).

 

Tornei-me definitivamente o centro das atenções quando nossa guia Molly anunciou que era hora do embarque. Baixinha, cabelo no rabo de cavalo, risonha, Molly fala inglês com um delicioso canto tailandes, ao melhor estilo de pronunciar "solly" ao se desculpar por algo pelo qual não precisava pedir perdão.

 

O terminal 3 do elefanteporto de Chiang Mai é uma plataforma de madeira de uns 5 metros de altura, construído para que os passageiros tenham acesso direto aos seus assentos sobre os bichos – igualzinho aos "fingers" dos aeroportos.

 

A um estalar de dedos, 23 tailandeses entre surpresos e divertidos com a minha presença se agruparam ao meu redor. Como sempre, a vontade de carregar a cadeira de rodas, de ajudar-me a superar os obstáculos era tão, mas tão grande, que o movimento inicial foi atabalhoado.

 

Aos gritos, tomei conta da situação. "You, here…You, hold here at the handles on my back. Now, turn me around and go up slooooooooooowlyyyyy…" E começamos a subir a rampa…(um parêntese: por que raios falamos em inglês – e não em português ou iidische – quando nos comunicamos com seres que não falam uma palavra em inglês??)

 

Não entendia nada do que eles falavam enquanto me içavam ladeira acima…mas os "hummmmmmmm" e "ahhhhhhhhhhs" e risos e suspiros de quem se esforçava já davam o recado – blasfemavam divertidos pelo tamanho da minha pança, e trocavam comentários do gênero "será que esta baleia sobre rodas vai em cima do elefante ou o elefante em cima da baleia rolante?"

 



Escrito por Staroba às 17h35
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Tres e vinte e um da matina, 32 graus, internet cafe de Chiang Mai, Tailandia. Antes tarde do que nunca. Declaro inaugurado este blogovsky.



Escrito por Staroba às 16h59
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